A faca de damasco que levou dois anos para ficar pronta
Em Areia, Aurélio Dantas dobrou 300 camadas de aço para uma única peça. Agora ele aceita encomendas.

A oficina fica nos fundos de uma casa de taipa, a dez minutos do centro de Areia. Na parede, uma prateleira guarda as tentativas que não deram certo.
Foram dois anos entre a primeira barra soldada e a lâmina que hoje está na vitrine da oficina. Cada erro na solda das camadas só aparecia no fim, depois do polimento.
Aurélio Dantas trabalhava como carpinteiro até 2011. A virada veio numa feira em Campina Grande, quando segurou pela primeira vez uma faca de damasco.
Trezentas camadas, uma lâmina
O damasco nasce de duas ligas de aço empilhadas, aquecidas e marteladas até virar uma barra só. A barra é dobrada e soldada de novo, várias vezes, até chegar ao número de camadas.
Na faca que levou dois anos, foram 300. O desenho que aparece na lâmina, parecido com veios de madeira, é a marca dessas dobras reveladas pelo ácido.
“O damasco não perdoa pressa. Cada dobra que você erra aparece no polimento.”
O cabo é de ipê, com guarda de latão. A bainha, de couro curtido na própria cidade, leva costura à mão.
Depois da peça pronta, Aurélio passou a aceitar encomendas. O prazo atual é de dois meses, e cada lâmina sai numerada.